CARNAVAL🎭 e Fé Cristã

Introdução

Origem da palavra carnaval

Quando um cristão evangélico se vê diante da palavra ou evento carnaval naturalmente lhe  vem à mente a ideia de “festa da carne”, no sentido de uma ocasião em que se dá vazão, sem limites, aos desejos e prazeres da carne (ou carnais). Entretanto, é muito curioso e, até certo ponto surpreendente, verificar sua etimologia.

O termo carnaval deriva do latim medieval carnem levare – “abstenção de carne” – relacionado ao início da Quaresma. O latim carnem levare designava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, o dia em que se iniciava a abstinência de carne como alimento animal exigida pela Quaresma. Portanto, o significado primário era dietético e litúrgico, não moral-sexual. O carnaval marcava, assim, o último momento antes dessa restrição. Durante a Quaresma, especialmente na tradição católica medieval, evitava-se: Carne, Festas, Casamentos e Celebrações públicas.

Portanto, a associação com “desejos carnais” é posterior e interpretativa, não etimológica. Na teologia bíblica, especialmente no Novo Testamento, “carne” (sarx, no grego) frequentemente significa: (i) Natureza pecaminosa; (ii) Inclinações desordenadas; (iii) Desejos contrários ao Espírito (cf. Gálatas 5.16-21). Contudo, essa não é a origem linguística da palavra “carnaval”.

Origem do carnaval

O carnaval possui uma origem pouco definida. É apenas provável que suas raízes estejam ligadas a antigas festividades de caráter religioso, celebradas em honra ao renascimento da natureza com a chegada da primavera. Em um horizonte histórico mais próximo – e certamente mais concreto – sua origem pode ser associada às celebrações da Antiguidade de cunho orgiástico[1], como as bacanais e as saturnais romanas.

Na conceituação secular e histórica, o carnaval corresponde a um conjunto de folguedos populares tradicionalmente realizados nos três dias que antecedem o início da Quaresma – do domingo da quinquagésima[2] à terça‑feira gorda. Registros históricos indicam que seu modelo mais célebre teve origem na Itália, especialmente em Roma, acompanhada por cidades como Veneza, Florença, Turim, Ivrea e Nápoles. Fora da Itália, diversas cidades europeias também prestaram – ou ainda prestam – culto ao espírito carnavalesco, entre elas Munique e Colônia, na Alemanha, e Paris e Nice, na França. Nos Estados Unidos, destacam‑se os festejos de New Orleans.

A posição da Igreja Católica Romana.

“Nem sempre foram cordiais as relações entre as autoridades eclesiásticas e os carnavalescos, cujas atitudes desregradas mereceram censura de alguns papas e doutores da Igreja. O que prevaleceu, contudo, por parte da Igreja, no tocante à festa popular, foi uma atitude geral de tolerância, tanto mais quanto a fixação cronológica dos períodos momescos gira em torno de datas determinadas pela própria Igreja. O carnaval antecede a Quaresma. É uma festa de características pagãs, mas que termina em penitência, na tristeza das cinzas.”[3]

A Quaresma tem início na quarta-feira de cinzas e se estende por 40 dias (não contando os domingos), terminando na Semana Santa. Ela começa imediatamente após o carnaval. Sequência tradicional no calendário cristão histórico: 1º)Carnaval – últimos dias antes da Quaresma (domingo, segunda e terça-feira); 2º)Quarta-feira de Cinzas – início da Quaresma; 3º) 40 dias de penitência; 4º) Semana Santa; 5º) Páscoa.

É provável que em algum momento da história alguns “fiéis católicos” tenham acreditado que, a cada ano, podiam dar vazão aos desejos carnais, no carnaval, e depois participariam de uma purificação espiritual, na Quaresma, e ficaria tudo bem. Historicamente, essa não é a finalidade oficial da Quaresma – mas, sociologicamente, essa percepção muitas vezes acabou se formando. Entretanto, na teologia cristã histórica (católica), preferimos acreditar que a Quaresma nunca foi apresentada como: “Peque à vontade no carnaval e depois compense com penitência.”. Mas, que a proposta sempre foi: Arrependimento sincero, Exame de consciência, Jejum, Oração e Preparação para a Páscoa.

Rei momo e licenciosidade

A figura do Rei Momo no carnaval é simbólica e tem raízes na mitologia grega, sendo posteriormente incorporada às tradições carnavalescas europeias e, depois, brasileiras.

➡️📜 Origem mitológica

O nome Momo vem do grego Momus, que na mitologia era: O deus da zombaria; Da sátira; Da crítica; Da ironia. Ele representava o espírito da irreverência, da crítica às autoridades e da liberdade de expressão através do riso.

➡️🎭 Simbolismo no carnaval

No contexto carnavalesco, o Rei Momo simboliza:

👑 a) A inversão da ordem

Durante o carnaval, ocorre simbolicamente uma “suspensão” das normas sociais rígidas.
O Momo é coroado como rei temporário, representando:
⊳ A troca simbólica de papéis.
⊳ A quebra de hierarquias.
⊳ A liberdade momentânea

Isso remete às antigas festas medievais de inversão social.

🍷 b) A celebração do excesso

Tradicionalmente, o Rei Momo é representado como: Figura alegre, Corpulenta, Exuberante, Festiva.

Ele encarna: A fartura, A liberdade, A indulgência, A despreocupação.

🎉 c) O espírito da festa

Quando recebe simbolicamente a “chave da cidade”, ele declara aberto o carnaval. Isso representa:
⊳ Autorização para festejar.
⊳ Início da folia.
⊳ Entrega ao clima carnavalesco.

Ao final do período, sua “realeza” termina – marcando o fim da festa.

➡️🏛  Dimensão histórica-cultural

O Rei Momo foi incorporado ao carnaval brasileiro no início do século XX, inspirado nos carnavais europeus (principalmente o francês). No Brasil, tornou-se:
⊳ Figura oficial das aberturas de carnaval.
⊳ Personagem simbólico das prefeituras.
⊳ Representação midiática do evento.

➡️🔎 Análise simbólica mais profunda

Sob uma perspectiva sociológica, Momo representa:
⊳ A legitimação temporária da desordem!
⊳ A institucionalização da irreverência!
⊳ A permissão simbólica do exagero!

Sob uma perspectiva cristã crítica, alguns veem nessa figura:
⊳ A exaltação da zombaria!
⊳ A celebração da carne!
⊳ A substituição da sobriedade pela euforia irresponsável!

Para o cristão evangélico, a avaliação de qualquer prática cultural deve ser feita à luz das Escrituras. Embora o carnaval seja apresentado socialmente como expressão cultural, lazer e entretenimento, a Bíblia nos chama a discernir os valores espirituais que permeiam nossas escolhas – “julgai todas as coisas, retende o que é bom;” (1Ts 5.21). Sob essa perspectiva, o carnaval apresenta diversos aspectos que entram em conflito com os princípios do Reino de Deus, da Fé Cristã.

1. Estímulo à bebedeira e à perda do domínio próprio

O consumo excessivo de álcool é amplamente associado ao carnaval. A embriaguez compromete o discernimento, enfraquece o autocontrole e abre espaço para outros pecados.

📖 “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,” (Ef 5.18)
📖 “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: … bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, …” (Gl 5.19-21)

📝 A vida cristã é marcada pelo domínio próprio, fruto do Espírito (Gl 5.22-23), não pela entrega aos excessos.

2. Promoção da sensualidade e da imoralidade sexual

O carnaval frequentemente exalta o corpo de forma erotizada, banalizando a nudez e incentivando desejos carnais desordenados.

📖 “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição;” (1Ts 4.3)
📖 “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.” (1Co 6.18)

📝 A Bíblia ensina que o corpo do crente é templo do Espírito Santo (1Co 6.19-20), devendo ser tratado com honra e pureza, não como objeto de exibição e desejo.

3. Incentivo à idolatria e a práticas espirituais contrárias à fé cristã

Historicamente, muitos elementos do carnaval dialogam com crenças religiosas não cristãs, cultos a entidades espirituais e práticas simbólicas incompatíveis com a fé bíblica.

📖 “Não terás outros deuses diante de mim.” (Êx 20.3)
📖 “… Ou que comunhão, da luz com as trevas?….” (2Co 6.14-17)

Muitos sambas de carnaval exploram temas relacionados a religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Esses conteúdos são muitas vezes retratados nas letras de samba, onde referências a orixás, rituais, e elementos dessas religiões aparecem travestidos de expressão cultural e simbólica. De fato, o Carnaval brasileiro tem sido um espaço privilegiado para a celebração e o reconhecimento das contribuições culturais e espirituais oriundas da África. Respeitamos as crenças das pessoas, mas não concordamos com aquelas que conflitam com a fé cristã.

Diversas escolas de samba já incorporaram em seus enredos elementos das religiões de matriz africana, exaltando a ancestralidade, os orixás e os rituais. Alguns exemplos incluem:

Mangueira (1998) – “A Namíbia, eu vou” > “Que valeram os abismais, Oxum, Xangô, Iemanjá /Sementes de cor, os filhos de Zumbi.”

Portela (1964) – “Canta, Canta, Minha Gente” > “A força dos orixás, a coroa de Ogum, Ogum guerreiro / A brisa, Oxum, e a batida de seus filhos!”

Salgueiro (1993) – “É de Azeite, É de Jurema” > “Oxum, sua lágrima de ouro / Acorda Iemanjá, Deus mãe dos mares / Acende a vela do candomblé e joga a onda do pai Xangô.”

Império Serrano (1982) – “Ο Canto do Rio” > “Vem, Iemanjá, filha do céu, senhora do mar, / O teu mando/ O seu culto é tradição do Império Serrano.”

Esses trechos são reflexos das influências das religiões africanas que, ao lado das expressões culturais tradicionais brasileiras, permeiam os enredos do carnaval e deixam claro o vínculo espiritual e cultural com os orixás e divindades afro-brasileiras.

📝 O cristão é chamado à exclusividade espiritual, adorando somente ao Senhor e rejeitando práticas que relativizem essa devoção.

4. Incentivo ao sexo sem compromisso e à banalização do matrimônio

A atmosfera do carnaval frequentemente normaliza relações sexuais passageiras, sem responsabilidade emocional, moral ou espiritual.

📖 “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hb 13.4)
📖 “mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Co 7.2)

📝 A Bíblia apresenta a sexualidade como uma dádiva divina a ser vivida com responsabilidade, compromisso e aliança.

5. Disseminação de doenças e desprezo pelo cuidado com o corpo

O comportamento desregrado associado ao carnaval contribui para a propagação de doenças, especialmente as sexualmente transmissíveis, revelando desprezo pela saúde física.

📖 “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19)
📖 “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1Co 6.20)

📝 O cuidado com o corpo também é um ato de mordomia cristã.

6. Falsa sensação de felicidade e fuga momentânea da realidade

O carnaval promete alegria, mas oferece (quando oferece) apenas uma satisfação passageira, frequentemente seguida de imenso vazio, culpa e frustração.

📖 “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” (Pv 14.12)
📖 “Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza.” (Pv 14.13)

📝 A verdadeira alegria não está na euforia momentânea, mas em um relacionamento vivo e pessoal com Deus – “… porque a alegria do SENHOR é a vossa força.” (Ne 8.10)

7. Promoção do pecado e afastamento da comunhão com Deus

De modo geral, o carnaval cria um ambiente favorável à prática do pecado e ao enfraquecimento da vida espiritual.

📖 “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo.” (1Jo 2.15-17)
📖 “Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pe 1.15-16)

📝 O cristão é chamado a viver de forma contracultural, refletindo os valores do Reino de Deus mesmo em meio a uma sociedade que segue em direção oposta.

Considerações finais

O carnaval é uma festa mundial que vem de há muito tempo. O carnaval brasileiro, nos últimos 50 anos, não deixou de ser popular, mas mudou de forma.

Ele passou:
⊳ De festa comunitária para evento institucional.
⊳ De brincadeira espontânea para espetáculo coreografado.
⊳ De expressão local para produto “cultural” global.

Hoje, convivem dois carnavais:
⊳ Um organizado, caro e espetacular.
⊳ Outro livre, popular e imprevisível.

Na década de 2000  o carnaval passou a ser visto como espetáculo global. Nesse período se consolidou como:

  • Produto turístico internacional.
  • Evento televisivo de alta audiência.
  • Fantasias caríssimas.
  • Camarotes VIP.
  • Distanciamento entre quem assiste e quem desfila.
  • Forte controle institucional (ligas, regulamentos, julgadores).

➡️ Muitos críticos passaram a falar em “desfile para jurados e câmeras”, não mais para o povo. Como resposta à espetacularização, surge um movimento de retorno ao carnaval orgânico, sobretudo nos blocos de rua.

Enfim, com o Crescimento na mídia (TV), Interesse turístico, Apoio do poder público e Patrocinadores, pode-se dizer que o cristão terá que conviver com a realidade do carnaval por muito tempo, mantendo-se distante.

Ressaltamos que a posição bíblica para esse distanciamento não se fundamenta em moralismo vazio, mas em um chamado ao discernimento espiritual, à santidade e à vida abundante em Cristo (Jo 10.10). Diante disso, muitos cristãos optam conscientemente por não participar e não assistir o carnaval (nem na TV e nem numa arquibancada ou camarote de Sambódromo), não por desprezo às pessoas, mas por fidelidade ao Senhor.

📖 “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)

A pergunta final não é apenas “posso participar?”, mas:
“Isso glorifica a Deus e edifica minha vida espiritual?”

Se, por um lado o carnaval é uma realidade, por outro lado sempre será possível construir um contraponto. Vamos imaginar que as lideranças de todas as igrejas cristãs evangélicas se unissem e ressignificassem para si esse “feriadão de carnaval” e o denominassem de “Dedicatio Tempus” (Tempo de Dedicação), um tempo de recolhimento (pessoal ou coletivo) e dedicação especial a Deus. Fica aí a dica!!! 

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda – 1982.
4. Internet.


[1] Orgiástico: Em linguagem histórica, antropológica ou literária, orgiástico refere-se a rituais ou festividades da Antiguidade marcados por: exaltação coletiva, liberdade de costumes, danças frenéticas, bebidas, e uma atmosfera de descontrole ritualizado. Não significa necessariamente “orgias” no sentido moderno e sexualizado, mas sim festas intensas, exuberantes e catárticas, como as bacanais dedicadas a Baco / Dioniso.

[2] Designa o domingo que ocorre cinquenta dias antes da Páscoa.

[3] Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda – 1982.

Adoração, Louvor e Agradecimento

Introdução

Adorar, louvar e agradecer a Deus não são exatamente a mesma coisa, embora estejam relacionados entre si e muitas vezes aconteçam juntos em nossas expressões de fé. Veja a diferença entre esses três termos à luz da Bíblia:

1. Adorar a Deus

Sem dúvida, o termo “adorar” encontra-se hoje profundamente desgastado, pois passou a ser usado de forma corriqueira para expressar simples apreço ou preferência por coisas, lugares ou pessoas: “adoro esse filme”, “adoro esse perfume”, “adoro viajar”, “adoro conversar com fulano”. Contudo, à luz de seu significado bíblico e teológico – que envolve reverência, submissão e reconhecimento da absoluta supremacia de Deus –, tal uso banal esvazia a profundidade do termo. Aqueles que já compreenderam o caráter sublime da adoração deveriam, conscientemente, reservar essa palavra para aquilo que lhe é próprio, evitando seu emprego no uso comum e cotidiano.

A Bíblia ensina que adoração (proskynéō / latréuō) é um ato direcionado exclusivamente a Deus. Nenhum ser criado – anjos, “santos”, líderes, pessoas famosas ou imagens – pode ser alvo de adoração, muito menos aquilo com o qual interagimos neste mundo. Prestar adoração a outro que não seja Deus é chamado de idolatria

A Bíblia é inequívoca ao ensinar que somente Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – deve ser adorado. Esse princípio não é cultural, mas doutrinário, ético e espiritual, atravessando toda a Escritura. Jesus afirma: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10). O apóstolo Paulo denuncia: “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1.25).

  1. Adorar a Deus significa reconhecer quem Deus é, sua grandeza, santidade, majestade e soberania. Envolve reverência profunda, submissão, temor e amor absoluto.
  2. A ênfase ou foco é o ser e caráter de Deus.
  3. Adorar a Deus é prostrar-se submisso diante dele, cultuá-lo, dedicar-lhe amor extremo, devoção e veneração como o ser mais sublime do universo (Gn 24.26; Êx 34.8; 1Sm 1.3; Mt 8.2; 9.18; 15.25).
  4. A palavra grega[1] προσκυνέω (proskynéō) indica “prostrar-se”, “render homenagem”. Já o termo λατρεύω (latréuō) expressa o serviço religioso (prestar culto).
  5. A palavra hebraica[2] shachah tem sentido semelhante de “curvar-se”, “se prostrar”.
  6. Adora-se a Deus como fruto de um compromisso de vida (Mt 15.7-9).
  7. Adora-se a Deus “em espírito” (não exatamente com expressões externas) e “em verdade” (com sinceridade) (Jo 4.20-24).
  8. Exemplos bíblicos:

📖“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10,  cf. Dt 6.13)
📖 “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou.” (Sl 95.6)

Portanto, nós adoramos a Deus por quem ele é, por seus atributos divinos:

📖“Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade.” (1Cr 16.29)
📖 “Adorai o SENHOR na beleza da sua santidade; tremei diante dele, todas as terras.” (Sl 96.9)

⚠️Atenção! Ao orarmos, não é recomendável nos expressarmos da seguinte maneira:
🙏– Senhor, eu te adoro por mais um ano de vida que tu me concedeste.
🙏– Senhor, eu te adoro por ter passado no vestibular.
🙏– Senhor, eu te adoro pelo novo emprego que consegui.
🙏– Senhor, eu te adoro pela esposa (ou pelo marido, ou pelos filhos) que tu me deste.
🙏– Senhor, eu te adoro por …. (bênçãos materiais recebidas).

2. Louvar a Deus

Louvar a Deus significa exaltar, elogiar e proclamar os seus feitos, atributos e obras, geralmente por meio de palavras, cânticos e orações.

  1. Louvar a Deus é expressar o reconhecimento da sua grandeza, dos seus méritos, dos seus atributos incomparáveis e inigualáveis: Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc.
  2. A ênfase no louvor é o que Deus faz como manifestação da sua grandeza e poder:  salva, cura, age com justiça etc.).
  3. A palavra grega αἰνέω (aineō) ou  ἔπαινος (epainos), tem o sentido de “elogiar, glorificar”.
  4. A palavra hebraica halal, de onde vem “Aleluia” (hallelu-Yah = louvem ao Senhor ou Deus seja louvado).
  5. Exemplos bíblicos:

📖“Designou dentre os levitas os que haviam de ministrar diante da arca do SENHOR, e celebrar, e louvar, e exaltar o SENHOR, Deus de Israel, a saber,” (1Cr 16.4)
📖 “Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e temíveis coisas que os teus olhos têm visto.” (Dt 10.21)
📖 “Louvai-o pelos seus poderosos feitos;  louvai-o consoante a sua muita grandeza. ⁶ Todo ser que respira louve ao Senhor.  Aleluia!”  (Sl 150.2, 6)

➡️Atenção! Quando oramos ou cantamos, podemos louvar e exaltar a Deus por suas obras grandiosas:

– Seu amor, misericórdia, fidelidade e justiça, renovados diariamente.
– A criação, essa maravilhosa obra das suas mãos!
– Sua preciosa obra de salvação em Cristo.
– O milagre da transformação de um pecador.
–  Seus milagres e cuidado dispensados aos seus filhos a cada dia.

3. Agradecer a Deus

Agradecer é reconhecer com gratidão o que Deus nos deu ou fez por nós. É uma resposta a bênçãos recebidas, desde o alimento até as bênçãos espirituais, mas, também, nas e pelas provações – “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,” (Ef 5.20).

  1. A ênfase é tudo o que Deus nos dá ou nos proporciona.
  2. A palavra grega εὐχαριστέω (eucharistéō)tem o sentido de “agradecer”, “dar graças”.
  3. A palavra hebraica é yadáh, que também pode significar “confessar”, “dar graças”.
  4. Exemplos bíblicos:

📖Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. (1Ts 5.18)
📖Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. (Sl 100.4)

➡️Atenção! Ao orarmos, podemos nos expressar assim:

🙏 – Senhor, eu te agradeço por mais um ano de vida que tu me concedeste.
🙏 – Senhor, eu te agradeço por ter passado no vestibular.
🙏 – Senhor, eu te agradeço pelo novo emprego que consegui.
🙏 – Senhor, eu te agradeço pela esposa (ou pelo marido, ou pelos filhos) que tu me deste.
🙏 – Senhor, eu te agradeço por …. (bênçãos materiais recebidas).

Conclusão

Resumindo:

AçãoÊnfase principalComo expressar
AdorarQuem Deus é.Prostração, oração, silêncio reverente.
LouvarO que Deus é e faz. (atributos e obras divinos)Cânticos, palavras de exaltação.
AgradecerO que Deus nos dá ou fez.Palavras, orações de gratidão.
GlorificarSua majestade, santidade e valor supremo.Atitudes, obediência, caráter e testemunho.

A adoração e o louvor também implicam a glorificação de Deus. Glorificar a Deus é manifestar, reconhecer e honrar a sua glória não apenas por meio de palavras ou cânticos, mas por uma vida inteira marcada por atitudes, obediência, caráter e testemunho. Trata-se de evidenciar quem Deus é – sua majestade, santidade e valor supremo.

No hebraico, o termo kabéd expressa a ideia de “peso”, “valor” e “importância”, indicando a dignidade e a relevância incomparáveis de Deus. Já no grego, δοξάζω (doxazō) significa “tornar evidente” ou “manifestar a glória”, apontando para uma vida que reflete visivelmente a grandeza de Deus.

Glorificar a Deus é atribuir-lhe glória eterna e celestial e a ninguém mais:

📖 “Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome.” (Sl 18.49)
📖 “vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó; reverenciai-o, vós todos, posteridade de Israel.” (Sl 22.23)
📖 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. (Mt 5.16)
📖 Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. (1Co 10.31)

🧠A glorificação envolve conduta, escolhas e estilo de vida.

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Internet / ChatGPT / Copilot.

Que Deus nos conduza a nos dirigirmos a ele de maneira sábia e apropriada!


[1] Novo Testamento: grego.
[2] Antigo Testamento: hebraico.

Teologia Triunfalista 🏁

Introdução

Esta publicação é um desdobramento e continuação do artigo TEOLOGIAS CAPCIOSAS E SUAS ESTRATÉGIAS.

A Teologia Triunfalista é muito próxima da Teologia da Prosperidade, mas não necessariamente materialista.

Ideia central:
O cristão verdadeiro vive em constante vitória e superação.

Características e mensagens:
▶ Linguagem de conquista e vitória constantes.
▶ Pouco espaço para carregar a cruz, sofrimento, lamento e perseverança nas provações.
▶ Ênfase no “vencer” em vez do “suportar” ou “permanecer fiel”.
▶ Vitória como norma da fé.

Crítica comum:
▶ Nega a realidade do sofrimento cristão.
▶ Produz sentimento de culpa em quem passa por sofrimento.
▶ Minimiza a cruz e a perseverança.
▶ Ignora textos bíblicos sobre aflição, perseguição e maturação pela dor.

1. ESTRATÉGIAS PSICOLÓGICAS

Considerando a intenção de certos líderes e igrejas de cativar e ampliar o seu número de seguidores/membros e a arrecadação financeira, adotam certas estratégias psicológicas considerando o contexto social no qual vivemos – medos, incertezas, sonhos, carências e demandas das pessoas. O assunto é delicado e requer uma abordagem cuidadosa. O que segue não é um julgamento ofensivo de líderes ou igrejas, mas uma leitura sociopsicológica de como certas teologias, quando instrumentalizadas, podem funcionar como estratégias de engajamento, retenção e arrecadação, especialmente em contextos de medo, insegurança, frustração e carência (muito presentes no Brasil contemporâneo).

🧠TEOLOGIA, PSICOLOGIA E CONTEXTO SOCIAL
Como certas ênfases dialogam com necessidades humanas profundas:

Teologia Triunfalista
Medo explorado: sofrimento sem sentido, fraqueza, derrota.
Ênfase: vitória constante, superação visível.

Estratégias psicológicas

  • Negação simbólica da dor (“crente não pode sofrer”).
  • Pressão por performance espiritual (“crente não pode viver uma vida comum, tem que viver o extraordinário de Deus”).
  • Linguagem militar / esportiva (“vencedores”, “conquistadores”, “cabeça e não cauda”).
  • Supressão do lamento → dependência da liderança.

Resultado prático esperado

  • Ambientes emocionalmente intensos.
  • Pouco espaço para crise (quem sofre se cala ou sai).
  • Permanência baseada na imagem de força.

📌 Atrai pessoas cansadas de perder, mas expulsa os que passam por sofrimentos.

2. TEOLOGIA PASTORAL DO CONSOLO

Distinção importante:
Vale ressaltar que nem toda frase como “não tenha medo, Deus está contigo” é erro teológico.

Quando:

  • Está fundamentada no texto bíblico corretamente interpretado.
  • Reconhece o sofrimento real.
  • Aponta para a soberania de Deus, não para garantias humanas.

Então estamos diante de uma teologia pastoral do consolo, presente nos Salmos, nos Profetas e nos Evangelhos (Is 41.10; Sl 23; Jo 16.33).

🔍 CRITÉRIO BÍBLICO-TEOLÓGICO DE DISCERNIMENTO

Segue um critério bíblico-teológico claro e didático para discernir consolo legítimo de triunfalismo religioso.

1️⃣ O ponto de partida é a REALIDADE ou a PROMESSA?

Consolo bíblico legítimo:
✔ Reconhece a dor, o medo, a perda e o sofrimento.
✔ Não nega a crise.
📖 “No mundo tereis aflições…” (Jo 16.33)

Triunfalismo:
✘ Começa ignorando ou relativizando o sofrimento.
✘ Pula direto para a vitória.
📌 “Isso vai passar”, “você vai vencer”, sem lidar com a cruz.

🤲 Princípio: Deus não promete ausência de aflição, mas presença na aflição!

2️⃣ A promessa é CONDICIONAL, CONTEXTUAL ou AUTOMÁTICA?

Consolo bíblico legítimo:
✔ Respeita o contexto do texto bíblico.
✔ Aplica promessas específicas a situações compatíveis.

✔ Há promessas dadas a Israel em contexto histórico específico.
📖 “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” (Is 41.10).

Triunfalismo:
✘ Universaliza toda promessa.
✘ Transforma promessa em regra absoluta.
📌 “Se você crer, Deus vai resolver”

🤲 Princípio: Nem toda promessa é universal; toda promessa é fiel no seu contexto!

3️⃣ O foco está em DEUS ou no RESULTADO?

Consolo bíblico legítimo:
✔ Centralidade na soberania, caráter e fidelidade de Deus.
📖 “ Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará…” (Dn 3.17-18)

Triunfalismo:
✘ Centralidade no resultado desejado.
✘ Deus como meio para o fim.
📌 “Deus vai te dar isso!”  “Sonhe alto, sonhe grande!”

🤲 Princípio: Fé bíblica confia em Deus, não no desfecho!

4️⃣ Há espaço para LAMENTO e SILÊNCIO?

Consolo bíblico legítimo:
✔ Permite chorar, questionar, esperar.
📖 Salmos de lamento (Sl 13; 42; 88)

Triunfalismo:
✘ Pressiona por vitória imediata.
✘ Demoniza tristeza e dúvida.
📌 “Não chore”, “não declare derrota”

🤲 Princípio: A Bíblia legitima o lamento como forma de fé!

5️⃣ A CRUZ vem antes da COROA?

Consolo bíblico legítimo:
✔ Reconhece sofrimento como parte do discipulado.
📖 “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” (Lc 9.23)
📖 “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.” (Rm 8.17)

Triunfalismo:
✘ Promete glória sem cruz.
📌 Cristianismo sem renúncia.

🤲 Princípio: Não existe glória sem cruz!

6️⃣ O TEMPO é respeitado?

Consolo bíblico legítimo:
✔ Aceita processos, espera e mistério
📖 “Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.” (Sl 40.1)

Triunfalismo:
✘ Exige solução imediata.
📌 “Hoje ainda Deus vai agir”

🤲 Princípio: Deus age no tempo dele, não no nosso!

🤲 🤲 “O consolo bíblico não promete que tudo ficará bem; promete que Deus permanecerá fiel, mesmo quando não fica.”

3. TRIUNFALISMO versus CONTEXTO DO TEXTO BÍBLICO.

Seguem alguns exemplos clássicos e recorrentes de uso triunfalista de textos bíblicos fora do contexto bíblico, com breve explicação exegética.

1️⃣ Jeremias 29.11
📖“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.”

🛑Uso triunfalista
“Deus tem planos de sucesso, prosperidade e vitória pessoal para você.”

⚠️ Problema de contexto

  • Endereçado a Israel no exílio, não a indivíduos em busca de realização pessoal.
  • O cumprimento envolve 70 anos de cativeiro (Jr 29.10).
  • Não promete livramento imediato, mas esperança no longo prazo.

🗣️Mensagem: Esperança no sofrimento, não fugir do sofrimento.

2️⃣ Filipenses 4.13
📖“Tudo posso naquele que me fortalece.”

Uso triunfalista
 “Com fé, você pode conquistar qualquer coisa.”

⚠️Problema de contexto

  • O apóstolo Paulo fala sobre aprender a viver com escassez e abundância (v.12).
  • O “tudo posso” refere-se a suportar toda e qualquer circunstância, não a dominar.

🗣️Mensagem: Força para perseverar, não poder para vencer sempre.

3️⃣ Isaías 53.5
📖“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”

🛑Uso triunfalista
 “Cura física é garantida para todo crente agora.”

⚠️Problema de contexto

  • Texto messiânico sobre redenção do pecado, não promessa universal de cura imediata.
  • O Novo Testamento aplica prioritariamente à cura espiritual (1Pe 2.24).

🗣️Mensagem: Salvação eterna ≠ ausência de enfermidade presente.

4️⃣ Malaquias 3.10
📖 “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.”

🛑Uso triunfalista
 “Quem entrega o dízimo fica rico; quem não o faz está roubando a Deus.”

⚠️Problema de contexto

  • Dirigido a Israel sob a Lei Mosaica, com sistema levítico.
  • A promessa está ligada à fidelidade nacional, não a contratos individuais de prosperidade.

🗣️Mensagem: Generosidade cristã não é barganha espiritual.

5️⃣ Marcos 11.23
📖“porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.”

🛑Uso triunfalista
 “Declare e determine que vai acontecer.”

⚠️Problema de contexto

  • Linguagem hiperbólica judaica.
  • Jesus ensina fé alinhada à vontade de Deus, não poder criativo humano.

🗣️Mensagem: Fé submissa, não fé soberana.

6️⃣ Salmo 37.4
📖“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.”

🛑Uso triunfalista
 “Deus vai realizar seus sonhos pessoais.”

⚠️Problema de contexto

  • O verbo implica transformação dos desejos, não mera concessão.
  • O Salmo trata de confiança diante da injustiça, não de ambição pessoal.

🗣️Mensagem: Deus molda o coração antes de atender desejos.

7️⃣ Romanos 8.28
📖“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

🛑Uso triunfalista
 “Tudo vai dar certo nesta vida.”

⚠️Problema de contexto

  • “Bem” é conformidade a Cristo (v.29), não conforto terreno.
  • O capítulo inclui sofrimento, perseguição e morte.

🗣️Mensagem: O bem supremo é cristológico, não circunstancial.

 PADRÃO DO ERRO TRIUNFALISTA
Individualiza textos coletivos.
Ignora o contexto histórico.
Promete o que o texto não garante.
Troca perseverança por vitória imediata.
❌ Remove a cruz da interpretação.

FRASE-SÍNTESE
“O triunfalismo transforma promessas de fidelidade em garantias de sucesso.”

Conclusão

A teologia triunfalista se apresenta, à primeira vista, como uma mensagem de fé, esperança e encorajamento. Contudo, quando analisada com atenção, revela-se marcada por ênfases desequilibradas, leituras seletivas das Escrituras e estratégias emocionais que prometem vitória constante, sucesso visível e superação sem cruz. Seu apelo reside justamente em responder aos anseios mais profundos de um povo cansado, aflito e carente de alívio imediato, mas o faz ao custo de empobrecer o Evangelho.

A Bíblia, de fato, afirma que “em todas estas coisas somos mais que vencedores” (Rm 8.37). Todavia, o próprio contexto desse texto deixa claro que essa vitória não consiste na ausência de sofrimento, mas na fidelidade de Deus em meio à tribulação, à angústia, à perseguição e até à morte. O triunfo cristão, segundo as Escrituras, não é a negação da dor, mas a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.

Jesus jamais iludiu seus seguidores com promessas de conforto permanente. Pelo contrário, advertiu-os acerca do sofrimento, da rejeição e da perseguição – “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33). Os apóstolos confirmaram essa realidade com a própria vida, muitos deles selando sua fé com o martírio. Ainda assim, permaneceram firmes, não porque desfrutavam de vitória circunstancial, mas porque estavam ancorados na esperança eterna.

Identificar a teologia triunfalista em um culto público exige discernimento espiritual. Ela se manifesta quando a mensagem enfatiza apenas conquistas, decretos, coisas extraordinárias e vitórias imediatas, silenciando sobre arrependimento e confissão de pecados, renúncia, perseverança, obediência e carregar a cruz. Revela-se também quando os cânticos exaltam excessivamente o poder humano de declarar, determinar e conquistar, enquanto pouco ou nada dizem sobre dependência de Deus, submissão à sua vontade e esperança escatológica; e, ainda, quando não priorizam a exaltação e a glória de Deus.

Diante disso, o chamado à igreja não é ao pessimismo nem à negação da vitória em Cristo, mas à maturidade espiritual. Uma fé saudável celebra a vitória do Senhor, mas também prepara o crente para sofrer com fidelidade; canta louvores de triunfo, mas não se esquece dos lamentos; proclama esperança, sem transformar Deus em instrumento dos desejos humanos.

Assim, o verdadeiro cuidado não está em evitar a palavra “vitória”, mas em preservar o Evangelho em sua totalidade. Somente uma fé moldada pela cruz, sustentada pela graça e orientada pela esperança eterna será capaz de permanecer firme, tanto nos dias de exaltação quanto nos dias de aflição.

Que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Internet / ChatGPT / Copilot.

Extremos na Pregação ⚠️

Introdução

📖 Verdade bíblica sem aplicação gera informação!
🔥 Aplicação sem verdade bíblica gera manipulação!

Mesmo sem exercer o ministério pastoral ordenado, desde a juventude tenho tido o privilégio de subir ao púlpito e anunciar a Palavra de Deus em diversas igrejas. Reconheço, porém, que me sinto mais à vontade no ambiente do ensino: ministrando aulas na Escola Bíblica Dominical, conduzindo estudos bíblicos e, de modo especial, dedicando-me à escrita de reflexões e artigos bíblicos.

Isso porque a pregação pública vai além da simples exposição de um texto das Escrituras. Ela exige não apenas fidelidade exegética, mas também uma capacitação específica na comunicação, sensibilidade pastoral e desenvoltura para transmitir uma mensagem que desperte a atenção dos ouvintes, provoque reflexão profunda sobre a vida e, sobretudo, que, pela atuação soberana do Espírito Santo, produza transformação – seja conduzindo os não salvos à fé em Cristo, seja levando os crentes a uma vida de maior consagração e compromisso com Deus.

Ao longo desse tempo de vida cristã e de formação teológica, tive a oportunidade de participar de muitos congressos e eventos evangélicos, bem como de ouvir muitos pregadores e diferentes estilos de pregação. Essas experiências não apenas contribuíram para o meu aprendizado, com novos conteúdos e perspectivas, mas também me levaram a observar e analisar com atenção tanto a forma quanto o conteúdo das mensagens proclamadas.

Assim, tenho constatado que há pelo menos dois tipos de pregadores e pregações: O primeiro é do tipo em que o pregador lê o texto bíblico, fica repetindo e explicando o que já foi lido, se detém  no texto e nos fatos históricos sem apresentar testemunhos pessoais ou de outros, sem ilustrações e sem aplicações no dia a dia das pessoas. O segundo tipo é o contrário: lê o texto bíblico aparentemente apenas como pretexto, quase não o explica, e fica falando de tudo do dia a dia das pessoas. Parece que nenhum dos dois estilos atende aos bons princípios e fundamentos da hermenêutica e da homilética bíblicas. São dois extremos não muito recomendados. Ao abordamos, a seguir, esses dois extremos, não podemos deixar de considerar o estilo de Jesus, na citação e explicação das Escrituras e no uso de histórias e parábolas ilustrativas relacionadas ao dia a dia dos seus ouvintes, com a intenção de ensinar-lhes conceitos espirituais, um novo estilo de vida.

O que foi descrito anteriormente toca no âmago da tensão entre exegese fiel e comunicação pastoral eficaz, algo central à hermenêutica (interpretação) e à homilética (arte de comunicar a mensagem). A seguir, apresentamos uma breve análise desses dois extremos, seus riscos, e o modelo equilibrado encontrado no ministério de Jesus.

1. A pregação bíblica entre dois extremos

Ao longo da história da igreja, sempre houve certa tensão entre fidelidade ao texto e relevância para o ouvinte. Quando essa tensão não é bem resolvida, surgem dois extremos problemáticos.

2. Primeiro extremo: o texto explicado, mas não encarnado

2.1 Características

Esse tipo de pregação:
⊳ Lê corretamente o texto bíblico.
⊳ Explica termos, contexto histórico, geográfico e cultural.
⊳ Repete o conteúdo do texto com outras palavras.
⊳ Permanece quase exclusivamente no “mundo do texto”.
⊳ Evita testemunhos, ilustrações e aplicações práticas.

2.2 Virtudes

É importante reconhecer que esse estilo possui pontos positivos:
⊳ Demonstra respeito pelas Escrituras.
⊳ Evita distorções doutrinárias.
⊳ Valoriza a exegese e o contexto original.
⊳ Protege contra subjetivismos excessivos.

2.3 Limitações e riscos

Contudo, quando isolado, esse modelo apresenta sérios problemas:
Falta de aplicação: o ouvinte entende o que o texto significou, mas não o que ele significa hoje.
Distanciamento pastoral: o pregador se torna um expositor acadêmico, não um pastor de almas.
Audiência passiva: a mensagem informa, mas não transforma.
Risco de intelectualização da fé, onde o conhecimento bíblico não gera arrependimento, consolo ou mudança de vida.

Enfim, o texto é explicado, mas não é encarnado na realidade do povo.

3. Segundo extremo: a vida cotidiana sem raiz no texto

3.1 Características

Nesse outro polo, a pregação:
⊳ Lê um texto bíblico brevemente, às vezes apenas como “gatilho”.
⊳ Pouco ou nada explica o texto em seu contexto.
⊳ Usa muitas histórias pessoais, exemplos do cotidiano e frases de efeito.
⊳ Foca fortemente em emoções, experiências e problemas atuais.
⊳ O texto bíblico torna-se secundário ou decorativo.

3.2 Virtudes

Esse estilo também não é totalmente desprovido de valor:
⊳ Conecta-se facilmente com a audiência.
⊳ Demonstra sensibilidade às dores e desafios das pessoas.
⊳ Usa linguagem acessível.
⊳ Pode gerar empatia e identificação.

3.3 Limitações e riscos

Entretanto, seus perigos são profundos:
Eisegese[1]: o pregador coloca suas ideias no texto, em vez de extraí-las dele. ⊳ Antropocentrismo: a mensagem gira em torno do homem, não de Deus.
Superficialidade bíblica: o povo sai motivado, mas não instruído.
Substituição da autoridade das Escrituras pela experiência pessoal.
Risco de moralismo, autoajuda ou coaching religioso.

Enfim, a vida é abordada, mas sem ser confrontada e moldada pela Palavra.

4. O problema comum aos dois extremos

Apesar de parecerem opostos, ambos falham no mesmo ponto essencial:

Não fazem a ponte entre o mundo do texto e o mundo do ouvinte.
⊳ O primeiro fica preso ao passado bíblico.
⊳ O segundo fica preso ao presente humano.
⊳ Nenhum deles permite que a Palavra de Deus governe, confronte e transforme a vida real.

A boa homilética bíblica exige:
Exegese fiel (o que o texto diz).
Teologia sólida (o que o texto ensina sobre Deus e o homem).
Aplicação pastoral (como o texto se torna vida hoje).

5. O modelo de Jesus: fidelidade, ilustração e transformação!

5.1 Jesus e o uso das Escrituras

Jesus demonstrou profundo domínio das Escrituras:
⊳ Citava a Lei, os Profetas e os Salmos.
⊳ Interpretava corretamente o texto (Mt 22.29).
⊳ Corrigia leituras distorcidas (Sermão do Monte – “Ouvistes o que foi dito…”).
⊳ Revelava o verdadeiro sentido espiritual da Palavra.
⊳ Ele nunca tratou o texto como pretexto vazio, nem como fim em si mesmo.

5.2 Jesus e as ilustrações do cotidiano

Ao mesmo tempo, Jesus:
⊳ Falava de sementes, colheitas, pescarias, ovelhas, moedas, festas, pais e filhos.
⊳ Usava parábolas para traduzir verdades eternas em imagens familiares.
⊳ Partia da vida comum para revelar o Reino de Deus.

Ele descia ao nível do ouvinte sem rebaixar a verdade.

5.3 Intenção pedagógica e espiritual

As histórias de Jesus não eram entretenimento:
⊳ Elas exigiam reflexão (“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”).
⊳ Revelavam e ocultavam, conforme o coração do ouvinte.
⊳ Chamavam ao arrependimento, fé, obediência e transformação.

Jesus unia:
Texto bíblico (autoridade divina).
Ilustração viva (compreensão humana).
Aplicação efetiva (novo estilo de vida).

6. Um caminho equilibrado: pregação fiel e relevante

À luz da hermenêutica e da homilética bíblicas, a pregação saudável:

  • Explica corretamente o texto (exegese).
  • Entende o princípio teológico central.
  • Traduz esse princípio para a realidade atual.
  • Aplica de forma concreta, pastoral e transformadora.
  • Usa ilustrações e testemunhos como pontes, não como muletas.

A Bíblia não foi dada apenas para ser explicada, mas para ser vivida, obedecida e proclamada com poder.

Conclusão

Os dois estilos descritos revelam desequilíbrios reais e comuns. A pregação bíblica madura não escolhe entre texto bíblico ou vida, mas faz ambos se encontrarem, dialogarem.

Jesus é o modelo supremo:
⊳ Fiel às Escrituras.
⊳ Sensível às pessoas.
⊳ Profundo, sem ser obscuro.
⊳ Simples, sem ser superficial.
⊳ Exigente, sem ser desumano.

Que Deus nos ajude!


[1] Eisegese é um erro de interpretação bíblica que ocorre quando o intérprete introduz no texto ideias, pressupostos ou interesses pessoais, em vez de extrair do texto o seu sentido original.

Exegese → tirar do texto o seu significado.
Eisegese → colocar no texto um significado que ele não possui.
O termo vem do grego eis (para dentro) + hegeomai (conduzir, interpretar).

Teologias Capciosas e suas Estratégias

Introdução

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2Tm 4.3)

Vivemos tempos marcados por instabilidade, medo e cansaço coletivo. A sociedade contemporânea experimenta uma combinação perigosa de insegurança econômica, crise moral, descrédito nas instituições, polarização política, rupturas familiares e uma profunda ansiedade existencial. O futuro parece incerto, o presente pesado, e o passado, para muitos, irreparável.

O povo, de modo geral – o consciente e o inconsciente coletivo – encontra-se emocionalmente fragilizado: endividado, adoecido, frustrado, solitário e sobrecarregado. Muitos já não confiam no Estado, na justiça, na política ou mesmo nas relações humanas. Cresce o sentimento de abandono, impotência e perda de sentido. Nesse cenário, qualquer promessa de alívio rápido, segurança imediata ou controle do destino soa irresistível.

É justamente nesse ambiente sombrio que teologias capciosas prosperam. Elas não surgem do nada, nem crescem por acaso. São cuidadosamente moldadas para dialogar com os medos, desejos, carências e frustrações do povo, oferecendo respostas simples para problemas complexos, soluções imediatas para processos longos e promessas de vitória onde a Escritura fala de perseverança.

Essas teologias, muitas vezes travestidas de linguagem bíblica, espiritual e piedosa, exploram a dor humana como mercado, transformam a fé em ferramenta de barganha e reduzem Deus a um meio para alcançar fins pessoais. Em vez de conduzir ao arrependimento, à maturidade espiritual e à esperança escatológica, produzem dependência emocional, infantilização da fé e consumo religioso.

O povo cansado não busca necessariamente a verdade; busca alívio. O aflito não pergunta primeiro se algo é bíblico, mas se é funcional. Assim, líderes sem escrúpulos ou sistemas religiosos adoecidos encontram terreno fértil para manipular consciências, ampliar seguidores e aumentar arrecadação, substituindo o Evangelho da cruz por mensagens de autoafirmação, triunfo permanente ou aceitação sem transformação.

Este estudo nasce, portanto, da necessidade urgente de discernimento espiritual. Não para atacar pessoas ou grupos, mas para examinar ideias. Não para destruir a fé, mas para purificá-la. Não para gerar medo, mas para restaurar a centralidade da Palavra de Deus, da cruz de Cristo e da esperança que não depende das circunstâncias.

Como advertiu o apóstolo Paulo, são tempos em que muitos “não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;” (2Tm 4.3). Diante disso, cabe à igreja fiel não apenas consolar, mas ensinar; não apenas acolher, mas discernir; não apenas crescer numericamente, mas permanecer na verdade.

Apresentamos, a seguir, um panorama simplificado das principais correntes teológicas contemporâneas ou históricas que são amplamente contestadas por evangélicos tradicionais, sobretudo por divergirem da ortodoxia bíblica histórica.

1. Teologia da Prosperidade

🎯 Ideia central
        Deus deseja que todo crente seja próspero, saudável e bem-sucedido nesta vida.

🗣️Características e mensagens

  • Fé como meio de obter bens e sucesso.
  • Contribuição financeira como “semente”.
  • Testemunhos de enriquecimento.
  • Ênfase em vitória material.

✘Crítica comum

  • Reduz Deus a instrumento de ganhos.
  • Ignora sofrimento e cruz.
  • Confunde bênção com riqueza.

2. Teologia Triunfalista

🎯 Ideia central
        O cristão verdadeiro vive em constante vitória e superação.

🗣️Características e mensagens

  • Linguagem de conquista e vitória.
  • Pouco espaço para dor e lamento.
  • Ênfase em força espiritual contínua.
  • Vitória como norma da fé.

✘Crítica comum

  • Nega a realidade do sofrimento cristão.
  • Produz culpa em quem sofre.
  • Minimiza a cruz e a perseverança.

3. Teologia Motivacional / Coaching Gospel

🎯 Ideia central
        A fé cristã é ferramenta para desenvolvimento pessoal e emocional.

🗣️Características e mensagens

  • Frases inspiracionais.
  • Linguagem de autoajuda.
  • Ênfase no “eu” e no potencial pessoal.
  • Pouca doutrina e exegese.

✘Crítica comum

  • Superficialidade teológica.
  • Centralidade no homem.
  • Evangelho reduzido a bem-estar.

4. Teologia Liberal

🎯 Ideia central
        A fé cristã deve ser reinterpretada à luz da razão moderna e da experiência humana.

🗣️Características e mensagens

  • Relativização da inspiração bíblica.
  • Rejeição ou releitura de milagres.
  • Ênfase ética em detrimento da sã doutrina.
  • Cristo como mestre moral.

✘Crítica comum

  • Subordina a revelação à cultura.
  • Esvazia doutrinas centrais.
  • Perda da autoridade das Escrituras.

5. Teologia da Confissão Positiva

🎯 Ideia central
        Palavras ditas com fé têm poder criativo sobre a realidade.

🗣️Características e mensagens

  • “Declare”, “determine”, “profetize”.
  • Fé como força impessoal.
  • Ênfase no poder da palavra humana.
  • Vitória como consequência verbal.

✘Crítica comum

  • Atribui soberania ao homem.
  • Distorce o conceito bíblico de fé.
  • Produz frustração e culpa espiritual.

6. Teologia do Domínio (Reino Agora / Sete Montes)

🎯 Ideia central
        A igreja deve conquistar esferas da sociedade para instaurar o Reino de Deus.

🗣️Características e mensagens

  • Ênfase em poder cultural e político.
  • Narrativa de guerra espiritual/social.
  • Missão de transformação estrutural.
  • Igreja como agente governamental.

✘Crítica comum

  • Confunde Reino de Deus com poder terreno.
  • Minimiza a escatologia futura.
  • Politiza o Evangelho.

7. Teologia da Libertação (e vertentes sociais)

🎯 Ideia central
        O Evangelho deve libertar os oprimidos de estruturas injustas.

🗣️Características e mensagens

  • Leitura da Bíblia com foco no social.
  • Ênfase em justiça e igualdade.
  • Pecado visto como estrutural.
  • Engajamento político-social.

✘Crítica comum

  • Ideologização do Evangelho.
  • Redução da salvação ao social.
  • Pouca ênfase na conversão pessoal.

8. Teologia Inclusiva / Progressista

🎯 Ideia central
        A fé cristã deve acolher todas as identidades sem exigência de mudança moral.

🗣️Características e mensagens

  • Redefinição de pecado.
  • Experiência pessoal como critério.
  • Releitura ética da Bíblia.
  • Acolhimento sem confrontação.

✘Crítica comum

  • Relativiza textos bíblicos claros.
  • Enfraquece a doutrina da santidade.
  • Cultura julgando a Escritura.

9. Teologia do Legalismo (ou Moralismo Religioso)

🎯 Ideia central
      A aceitação por Deus depende do cumprimento de regras e normas religiosas.

🗣️Características e mensagens

  • Ênfase em usos e costumes.
  • Controle comportamental.
  • Vigilância moral.
  • Pouca ênfase na graça.

✘Crítica comum

  • Nega a salvação pela graça.
  • Produz culpa e hipocrisia.
  • Santidade confundida com aparência.

10. Teologia do Universalismo

🎯 Ideia central
        Todos serão salvos no fim, independentemente da fé em Cristo.

🗣️Características e mensagens

  • Amor divino sem juízo.
  • Minimização do inferno.
  • Salvação automática.
  • Consolo escatológico.

✘Crítica comum

  • Contraria textos claros sobre juízo.
  • Esvazia a necessidade da cruz.
  • Anula a urgência do arrependimento.

11. Teologia da Batalha Espiritual Estratégica

🎯 Ideia central
        Problemas pessoais e sociais são causados por forças demoníacas territoriais.

🗣️Características e mensagens

  • Mapeamento espiritual.
  • Campanhas de libertação.
  • Linguagem de guerra.
  • Ênfase em rituais espirituais.

✘Crítica comum

  • Pouca base bíblica direta.
  • Externalização excessiva do mal.
  • Dependência de líderes “especialistas”.

12. Teologia Antinomiana (Graça Barata)

O antinomianismo (do grego anti = contra, nomos = lei) é a doutrina que afirma que, para o cristão salvo pela graça, a lei moral não tem mais validade ou obrigação.

🎯 Ideia central
        A graça elimina qualquer exigência moral ou prática de santidade.

🗣️Características e mensagens

  • “Deus não vê pecado”.
  • Obediência tratada como legalismo.
  • Liberdade sem disciplina.
  • Fé sem frutos visíveis.

✘Crítica comum

  • Distorce a doutrina da graça.
  • Incentiva a licenciosidade.
  • Contraria o ensino bíblico.

🧾 SÍNTESE PARA REFLEXÃO

Toda teologia que desloca a cruz, relativiza a Escritura ou centraliza o homem precisa ser examinada à luz do Evangelho histórico.

Em publicações futuras, aprofundaremos a análise de algumas dessas teologias capciosas à luz das Escrituras, desvelando os fundamentos que as sustentam, bem como as estratégias psicológicas e as formas de abordagem utilizadas para alcançar seu público-alvo. Examinaremos como tais métodos, em determinados contextos, têm sido instrumentalizados por líderes e instituições religiosas com o objetivo de cativar e ampliar o número de seguidores ou membros, resultando, não raras vezes, no consequente aumento da arrecadação financeira.

Que Deus ilumine as nossas mentes e nos livre de cair nas ciladas do diabo.

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Internet / ChatGPT.

Entrar com o pé direito🦶

A expressão “entrar com o pé direito” tem origem muito antiga, ligada a crenças religiosas, simbólicas e culturais do mundo antigo, e não nasce propriamente da Bíblia, embora dialogue fortemente com o simbolismo bíblico da direita.

1. ORIGEM DA EXPRESSÃO

a) Origem no mundo antigo (grego e romano)

Na Antiguidade clássica, especialmente entre gregos e romanos, havia a crença de que:
O lado direito era favorável, promissor e benéfico.
O lado esquerdo era associado ao azar, mau presságio ou perigo.

Os romanos usavam o termo dexter (direito) para indicar habilidade, sorte e bom presságio, enquanto sinister (esquerdo) passou a carregar o sentido de ameaçador ou negativo – origem direta da palavra “sinistro”.

✅Assim, começar algo com o pé direito significava iniciar sob bons presságios.

b) Práticas rituais e supersticiosas

Era comum, em rituais pagãos e costumes sociais:
Entrar em casas, templos ou ambientes importantes com o pé direito primeiro.
Levantar-se da cama com o pé direito.
Iniciar viagens ou cerimônias com gestos à direita.

🍀Essas práticas tinham o objetivo de invocar sorte, proteção e sucesso.

c) Diálogo com o simbolismo bíblico

Embora a expressão seja cultural, ela se harmoniza com a exposição bíblica, na qual:
A direita simboliza força, honra, autoridade e bênção.
A mão direita de Deus é o instrumento do agir salvador.
Estar à direita indica aprovação e favor divino (Sl 110.1; Mt 25.34).

Assim, mesmo sem origem bíblica direta, o uso popular foi facilmente assimilado em sociedades de tradição cristã, pois a Bíblia reforça o valor simbólico da direita como lugar de bênção.

d) Chegada ao português

A expressão chegou ao idioma português por influência do latim vulgar e das culturas europeias, especialmente ibéricas, mantendo o sentido original:

🍀 “Entrar com o pé direito” significa: começar bem, com sorte, sucesso ou boa expectativa.

e) Síntese da expressão

AspectoExplicação
OrigemMundo greco-romano
Base culturalSuperstição e simbolismo
DireitaSorte, honra, favor
EsquerdaMau presságio
Relação bíblicaConvergência simbólica, não origem
Sentido atualBom começo, êxito inicial

Enfim, é claro que o cristão verdadeiro não segue superstições e crendices humanas, mas se orienta pela Palavra de Deus: “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;” (At 14.15)

E, como e quando surgiram as designações político-ideológicas de DIREITA e ESQUERDA, no mundo?

2. DESIGNAÇÃO POLÍTICO-IDEOLÓGICA

As designações político-ideológicas “Direita” e “Esquerda” surgiram de forma histórica, concreta e relativamente recente, ligadas a um evento específico: a Revolução Francesa, no final do século XVIII.

Os termos “Esquerda” e “Direita” são termos que originalmente identificaram posicionamentos diferentes. “Os termos ´esquerda` e ´direita` apareceram durante a Revolução Francesa, de 1789, e o subsequente Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda.”[1]

a) A divisão espacial no plenário no salão da Assembleia

🔵 À direita do presidente da Assembleia:

Sentavam-se os defensores da monarquia, ainda que constitucional.
Apoiadores da Igreja, da tradição e da ordem social herdada.
Favoráveis à manutenção de hierarquias sociais.

Esse grupo passou a ser chamado de Direita.

🔴 À esquerda do presidente:

Sentavam-se os revolucionários mais radicais.
Defensores de reformas profundas.
Críticos da monarquia, dos privilégios e do poder da Igreja.

Esse grupo passou a ser chamado de Esquerda.

⚠️ Importante: não foi uma teoria, mas um arranjo físico casual que gerou os dois termos.

Portanto, os que estavam à direita apoiavam a autoridade real (o imperador) e os que estavam à esquerda, defendiam os representantes do povo. Assim, na teoria, a direita passou identificar aqueles que defendem o status quo (ordem socioeconômica vigente), conservando as supostas desigualdades e privilégios sociais; enquanto a esquerda os que questionam o status quo e supostamente defendem uma sociedade mais justa e igualitária.

Com o tempo, os termos deixaram de ser apenas espaciais e passaram a designar posições políticas e ideológicas estáveis.

b) Consolidação e expansão para o mundo

Direita (sentido clássico)
⊳  Defesa da tradição.
⊳  Valorização da ordem, da autoridade e das instituições históricas.
⊳  Ceticismo quanto a mudanças rápidas.
⊳  Proteção da propriedade privada.

Esquerda (sentido clássico)
Defesa da igualdade social.
Crítica a hierarquias tradicionais.
Promoção de reformas ou rupturas.
Valorização do papel do Estado como agente de justiça social.

Durante o século XIX:
Os termos se espalharam pela Europa.
Foram incorporados aos debates sobre liberalismo, socialismo e conservadorismo.

No século XX:
Passaram a identificar blocos ideológicos globais:

  • Capitalismo × Socialismo.
    • Liberalismo econômico × Estatismo.
    • Conservadorismo × Progressismo.

Cada país adaptou os termos à sua própria realidade.

Na prática, atualmente, esses termos servem apenas de um rótulo, de uma forma reduzida e facilitadora para designar duas ideologias antagônicas e imperfeitas – capitalismo e socialismo – que de alguma forma pressionam-se mutuamente e, talvez, favoreçam a busca do equilíbrio social. Os extremos, isto é, tanto a tirania do capital quanto a ditadura do proletariado são danosas e não contribuem para uma sociedade justa e igualitária.

Na verdade, esse assunto é demasiadamente complexo, pois tem como pivô o ser humano falível, imperfeito, egoísta e pecador. Como alcançar uma sociedade ideal se a sua base – o ser humano – tem uma natureza má e corrompida pelo pecado? Numa sociedade plural e diversa, como conciliar tantos interesses, sensos (individuais e dos seus grupos de afinidade) de certo e errado tão variados, princípios e conceitos éticos lastreados em tantas religiões e filosofias de vida? O desafio é permanente e, provavelmente, insuperável.

É profundamente lamentável o cenário no qual vivemos atualmente, especialmente no Brasil. Sob o discurso recorrente de uma suposta defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito, certas autoridades vêm adotando, de forma reiterada, práticas que se aproximam perigosamente da tirania e da imposição de um pensamento único. Aqueles que ousam divergir são frequentemente perseguidos, censurados ou silenciados. Paradoxalmente, quanto mais se invoca a palavra “democracia”, mais se observa o distanciamento da Constituição Federal, a criação arbitrária de regras e a perseguição sistemática de opositores políticos.

A esse quadro sombrio soma-se uma imprensa maculada que, para muitos, perdeu credibilidade e independência. Movida por interesses oportunistas e por benefícios concedidos pelo poder estatal, deixa de cumprir seu papel essencial de informar com responsabilidade, expor os fatos com isenção e defender a verdade; passando a atuar, não raras vezes, como instrumento de narrativas convenientes ao poder ou ao sistema dominante.

Não se pode ignorar, ainda, a atuação de políticos marcados pela corrupção, pela mentira e pelo apego a privilégios sustentados pelo sacrifício do contribuinte. Alguns defendem abertamente regimes autoritários, ao mesmo tempo em que manipulam a população com programas assistencialistas e discursos que se dizem voltados aos pobres e às minorias, quando, na realidade, buscam apenas comprar apoio político e perpetuar-se no poder. Outros negociam seus votos e suas convicções de forma inescrupulosa, em troca de vantagens pessoais, demonstrando total desprezo pelo bem comum, pela ética pública e pela responsabilidade que lhes foi confiada pelo povo.

Diante de tudo isso, resta-nos clamar para que Deus nos conceda discernimento na escolha de nossos representantes e nos fortaleça para resistir a um sistema dominante, opressor e desalinhado com os valores da justiça, da liberdade e da verdade – um sistema que penaliza cidadãos honestos, empreendedores, trabalhadores e geradores de empregos, os quais, com seus impostos e esforços, sustentam a nação.

Especialmente em ano eleitoral, é necessário lembrar alguns princípios importantes:

🏛️A Igreja não faz nem promove militância político-partidária. Sua missão é espiritual, pastoral e formadora de consciência; não eleitoral.

🏛️A Igreja não idolatra candidatos ou partidos, mas pode – e deve – apoiar aqueles com princípios, valores e propostas que mais se aproximem daqueles que a norteiam à luz da fé cristã.

🏛️A Igreja defende a liberdade de opinião, com responsabilidade; a vida em todas as suas fases; a família segundo os valores bíblicos; e, a obediência às autoridades constituídas, desde que tal obediência não viole a fé, a consciência e a Palavra de Deus.

🏛️A Igreja ora pelas autoridades constituídas, para que Deus transforme corações endurecidos em corações sensíveis à justiça, à verdade e ao compromisso com o bem comum; ou, para que, segundo a sua soberana vontade, sejam removidos da vida pública.

✝️O cristão não pode ser um “isentão”, nem um alienado político, pois é no campo da política que se definem os rumos da sociedade, as leis que regulam a vida em comum e os limites do que é permitido ou proibido.

✝️O cristão não vota nem apoia candidatos corruptos, mentirosos ou desonestos, pois isso contradiz os valores do Evangelho.

✝️O cristão não se deixa seduzir por discursos fantasiosos, por promessas fáceis ou por candidatos que encantam com palavras (“encantadores de serpentes”), mas entregam destruição, injustiça e frustração.

✝️O Cristão não flerta com o socialismo-comunismo, mas rejeita ideologias nefastas que atentam contra a fé e a liberdade religiosa, incluindo sistemas que historicamente perseguem, censuram e matam cristãos, suprimindo direitos fundamentais e a dignidade humana.

Que Deus nos ajude!


[1] Wikipédia

TEMPOS SOMBRIOS⁉️

O mundo jaz no maligno
e o Brasil tornou-se palco de valores invertidos,
onde o errado é celebrado
e o certo é tratado como ameaça.

A apologia ao crime é exaltada como cultura,
enquanto o compartilhamento do conhecimento
é rotulado de negacionismo.
A ignorância grita
e a verdade é silenciada.

É tempo de muita centralização de poder
e pouca liberdade.
Muita corrupção e promiscuidade, pouca transparência.
Muita negociata, pouca ética.
Muita arrecadação, pouca realização duradoura.

A política virou torcida organizada,
sem diálogo, sem escuta, sem respeito.
Pensar diferente não é diversidade,
é rivalidade.
Quem discorda vira inimigo.

Dizem que a justiça não é mais cega;
é seletiva, tem lado,
ela vê muito bem o adversário político.
Primeiro condenam,
depois inventam provas.

Muita tirania, pouca empatia.
Muito ativismo judicial,
pouca segurança jurídica.
Aos amigos do “rei”, exceções e favores;
aos inimigos, o rigor da lei.

A velha mídia não esconde seu modus operandi;
O sistema paga e a narrativa favorece.

A falácia climática serve a vários fins…
Chamar a atenção e ditar a pauta midiática.
Poupar os aliados incompetentes.
Destruir a reputação dos inimigos políticos.

Falar de Deus, de princípios e de valores eternos
é visto como intolerância.
Confessar a fé tornou-se motivo de cancelamento,
como se a luz ofendesse as trevas.

É o tempo do muito eu, e pouco Deus,
do ego entronizado
e da soberania divina rejeitada.

Muito pecado, pouca santidade.
Muito discurso, pouca transformação.
Muito nome de cristão,
pouca vida de Cristo.

Muita tela na mão, pouco joelho no chão.
Muita distração, pouca edificação na Palavra.
Muita empolgação no culto, pouca renúncia na vida.

Muito sexo, pouco compromisso.
Muita exposição pública,
pouca intimidade com Deus.
Muito prazer imediato,
pouca aliança duradoura.
Muita ação e precipitação,
pouca reflexão sobre as consequências.

Muita traição, pouca fidelidade.
Promessas descartáveis,
relacionamentos líquidos,
corações rasos.
Muitos amigos virtuais,
poucos relacionamentos reais.

Muita maldade, pouca compaixão.
Muita pressa em julgar,
pouca disposição para perdoar.
Muita politização, pouca racionalidade.
Muita lei, pouca justiça.

Muita informação, pouca sabedoria.
Muita opinião, pouca consistência.
Muita ignorância travestida de opinião,
pouca inteligência e humildade para aprender.

Muita avareza, pouca generosidade.
Muita acumulação,
pouca partilha.
Muito apego ao ter,
pouco compromisso com o ser.

Nos tempos sombrios,
os bons se calam por medo,
e os vazios fazem barulho por vaidade.
A consciência se esconde,
enquanto a insensatez ocupa o palco.

Mas ainda há esperança:
Deus continua chamando um povo
que não se dobra,
não se cala
e não se conforma,
mas vive para ser luz em meio às trevas
e sal em uma terra em decomposição.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
(Rm 12.1-2)

Que Deus nos ajude!


A essencialidade de Jesus

Introdução

Já abordamos anteriormente a essencialidade da água e a essencialidade da luz. Agora, chegamos ao ápice – a essencialidade de Jesus. Se água e luz são essenciais à vida física, Jesus é essencial à vida espiritual e eterna. O grande EU SOU que se revelou a Moisés do meio da sarça ardente também se revelou a nós, por meio do seu Filho Unigênito. Os seus discípulos testemunharam: “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16.16). E, o Pai Celestial confirmou: “Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” (Mc 1.11). E, as hostes infernais se submeteram à sua autoridade divina: “Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus!” (Mc 3.11).

E, não para por aí, é o apóstolo e evangelista João quem registra, de modo singular e profundo, as declarações do grande “EU SOU” revelado em Jesus Cristo. Em seu Evangelho, Jesus se apresenta por meio de sete afirmações que desvelam sua identidade, missão e absoluta suficiência:

1⊳ O PÃO DA VIDA, o pão vivo que desceu do céu
“Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.35; ver tb Jo 6.41, 48 e 51)  

2⊳ A LUZ DO MUNDO
“De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (Jo 8.12)

3⊳ A PORTA
Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem.” (Jo 10.9)

4⊳ O BOM PASTOR
Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” (Jo 10.11)

5⊳ A VIDEIRA VERDADEIRA
Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15.5)

6⊳ O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14.6)

7⊳ A RESSURREIÇÃO E A VIDA
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;” (Jo 11.25)

Essas sete figuras revelam de forma clara e progressiva a essencialidade absoluta de Cristo: ele é quem alimenta e dessedenta a alma, ilumina a existência, abre a porta da salvação, conduz como Pastor fiel, produz fruto na vida dos seus, é o único caminho até o Pai, deu a sua vida pelas ovelhas e garante a ressurreição no último dia.

Jesus não é apenas necessário – Ele é essencial e exclusivo. Toda reconciliação com Deus passa unicamente por ele, conforme afirma a Escritura:

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5).

1. JESUS E A ÁGUA

Jesus utiliza a água como um dos símbolos mais profundos para revelar quem ele é e o que ele faz na vida humana. Assim como a água é indispensável à vida física, Jesus se apresenta como indispensável à vida espiritual.

Seguem alguns registros bíblicos nos quais Jesus se identifica com esse símbolo:

💧a) Jesus é a “Água da Vida”
No encontro com a mulher samaritana, Jesus declara:
“aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede;” (Jo 4.14a)

Aqui, a água simboliza:
⊳ Saciedade espiritual
⊳ Vida eterna
⊳ Renovação interior
⊳ Algo que nenhuma outra fonte pode suprir

Assim como a água sacia a sede física, Jesus sacia a sede da alma: sede de sentido na vida, de perdão de pecados, de paz interior, de reconciliação com Deus.

💧b) Jesus é a Fonte Eterna que jorra continuamente
“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” (Jo 7.37)

E, João explica que ele falava do Espírito Santo, que seria dado aos que cressem. Aqui, Jesus não dá apenas água – Ele é a Fonte.

O que ele oferece:
⊳ Vida espiritual que não se esgota
⊳ Presença do Espírito Santo
⊳ Renovação e capacitação contínuas

Assim como a água corrente impede a morte e a estagnação, Jesus produz vida que flui, transforma e purifica.

💧c) Jesus nos lava/purifica
O apóstolo Paulo afirma que Cristo purifica sua igreja pela sua palavra – a Bíblia:
“ para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,” (Ef 5.26)

A água aqui representa:
⊳ Limpeza espiritual
⊳ Santificação por meio da Palavra de Cristo

Assim como a água remove impurezas físicas, Jesus remove a sujeira moral e espiritual.

💧d) Jesus derrama sangue e água
Quando Jesus é traspassado, na cruz, saiu dele sangue e água.
“Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” (Jo 19.34)

Esse detalhe pode sugerir:
⊳ Sangue redenção
⊳ Água purificação

Mostra que a obra de Jesus envolve perdoar (sangue) e purificar (água).

💧e) Jesus cumpre profecias que ligam Deus à água
No Antigo Testamento, Deus se apresenta como:

A fonte ou manancial de águas vivas (Jr 2.13)
Aquele que dá água no deserto (Is 43.20)
A fonte da salvação (Is 12.3)

Quando Jesus diz que é a água da vida, ele está afirmando: “Eu sou o Deus que sacia, sustém e vivifica.”

💧f) Jesus é a conexão espiritual
O que é a água para o corpo, Jesus é para a alma:

Função da águaParalelo em Jesus
Sustenta a vidaDá vida eterna
Lava/PurificaRemove o pecado
Sacia a sedeSacia a alma
Regula o corpoOrdena e restaura o interior
Transporta nutrientesNos guia, alimenta e sustenta
É indispensávelJesus é absolutamente essencial
Sem água, o corpo morreSem Jesus, a alma morre

Enfim:

✝️Jesus se identifica com a água porque só ele pode tratar a sede mais profunda do ser humano – a sede de Deus.

✝️Assim como ninguém sobrevive sem água, ninguém encontra vida plena, propósito e vida eterna sem Cristo.

2. JESUS E A LUZ

Jesus também se identifica com o símbolo da luz de forma profunda, completa e absolutamente central à fé cristã. Quando ele diz “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12), não é apenas uma metáfora bonita, é uma declaração teológica, espiritual e existencial com implicações diretas para a vida humana, assim como a luz física é essencial para a vida natural.

Seguem alguns registros bíblicos nos quais Jesus se identifica com esse símbolo:

🌟 a) Jesus é essencial
Assim como:
Sem luz não existe vida biológica.
Sem Jesus não existe vida espiritual.

A luz sustenta a vida natural; Jesus sustenta a vida espiritual.

Por isso ele diz:
“eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10.10)

🌟 b) Jesus é a luz do mundo
“De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (Jo 8.12)

Jesus afirma que:
Ele não apenas traz luz
Ele é a própria luz

Da mesma forma que a luz revela, aquece, orienta, dá vida, afasta as trevas, Jesus faz isso espiritualmente.

🌟 c) Jesus revela Deus
A luz torna visível o que está oculto na escuridão.

Jesus revela:
O caráter do Pai.
A verdade sobre o ser humano.
O caminho da salvação.

“Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14.9b)

🌟 d) Jesus orienta a vida
Assim como a luz impede tropeços, Jesus orienta nosso caminho com:
Sua palavra.
Seus ensinos.
Seu exemplo.

“Eu sou o caminho…” (Jo 14.6)

🌟 e) Jesus gera vida espiritual
No Gênesis, a primeira palavra de Deus é “Haja luz.” João conecta essa luz inicial com Jesus, o Verbo, pelo qual todas as coisas foram feitas:
“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.3)

A luz física veio pela palavra de Deus Pai e a luz espiritual vem pela encarnação do Filho.

Assim como toda vida física depende da luz; toda vida espiritual depende de Cristo. Sem ele, há apenas trevas – culpa, confusão, morte espiritual.
“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.” (Jo 1.4)

🌟 f) Jesus vence o mal
A luz afasta as trevas que na Bíblia simbolizam ignorância, pecado, perdição, mentira, poder das trevas.

Jesus expulsa essas trevas da alma humana.
“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” (Jo 1.5)

🌟 g) Jesus é luz para a humanidade
A luz é essencial e bênção divina para todos. Jesus não é apenas “a luz de Israel” ou “a luz da igreja”, mas para a humanidade – “a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.” (Jo 1.9)

A obra redentora de Cristo é para:
Todos os povos
Todas as culturas
Toda pessoa que está em trevas

🌟 Enfim, Jesus é a Luz do Mundo porque:
⊳ Revela quem Deus é.
⊳ Orienta a vida humana.
⊳ Gera vida espiritual.
⊳ Vence as trevas do pecado e do mal.
⊳ Ilumina todas as pessoas.

Assim como não existe vida física sem luz, não existe vida plena, abundante e eterna sem Cristo.

Conclusão

A questão “trevas versus luz“ recebe grande destaque, principalmente no Novo Testamento.

Algumas citações bíblicas sobre o assunto nos revelam que Jesus é a luz do mundo e sem a sua presença o mundo jaz nas trevas. Essa luz divina veio como bênção: “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.” (Mt 4.16). Entretanto, há um triste registro: “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (Jo 3.19).

Também há algumas chamadas divinas:

🌄Para deixar o lugar das trevas e vir para o lugar da luz. Essa mudança de lugar e de domínio se caracteriza por salvação:

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1Pe 2.9)

🌄 Para os que estão no lugar de luz se desvencilharem das obras das trevas. Essa liberação ou purificação se caracteriza por santificação:

“Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.” (Rm 13:12)

🌄 Para os que estão na luz, permanecerem como luz do mundo, tal qual Jesus é a luz do mundo:

“Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.” (Ef 5.8)

Louvado seja Deus!

“Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” (Lc 2.14)

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Internet / ChatGPT.


Veja mais:
Esta é a terceira de três publicações sobre ELEMENTOS ESSENCIAIS A EXISTÊNCIA HUMANA:
1. A essencialidade da água.
2. A essencialidade da luz.
3. A essencialidade de Jesus.


A essencialidade da luz

Introdução

Logo no início da Bíblia surge o registro da primeira verbalização do Criador: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz.” (Gn 1.3). E, logo fez a avaliação: “E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.” (Gn 1.4). Desde então vê-se a intencionalidade de Deus de trazer luz, onde há trevas. Aliás, o que são as trevas senão a ausência de luz?

A luz é um dos elementos mais fundamentais da criação e da existência humana – tanto no sentido físico quanto no simbólico/teológico. Sua importância é tão central que a Bíblia a coloca como destaque no início da obra criativa de Deus, apontando que sem luz não há ordem, vida nem propósito.

1. A IMPORTÂNCIA DA LUZ

a) A luz torna a vida possível

A luz solar:
⊳ Fornece energia para todos os ecossistemas (fotossíntese).
⊳ Permite que plantas produzam oxigênio.
⊳ Mantém a temperatura necessária para a vida no planeta.
⊳ Controla os ciclos climáticos e o equilíbrio da natureza.

Sem luz, o planeta seria um ambiente frio, inóspito e estéril.

b) A luz é essencial para a saúde humana

A luz regula processos vitais no nosso corpo:

⏰ Ritmo biológico interno

A luz controla o “relógio biológico”, dizendo ao corpo quando:
– Acordar, dormir, liberar hormônios, restaurar células etc.

Sem luz adequada surgem:
– Insônia, fadiga, depressão sazonal, baixa imunidade etc.

🩺 Produção de vitamina D

A luz solar ativa a vitamina D, essencial para:
– Ossos fortes, sistema imunológico, função muscular, prevenção de doenças autoimunes.

🧠 Saúde emocional

A exposição à luz natural:
– Melhora o humor, reduz ansiedade, aumenta a sensação de bem-estar.

c) A luz permite percepção e organização do mundo

Com a luz podemos:
– Enxergar, interpretar ambientes, nos orientar, ler, trabalhar, criar, usar cores, formas e símbolos etc.

A visão é o sentido mais usado pelo ser humano; sem luz, perdemos a maior parte da informação sensorial.

2. AS PLANTAS E A LUZ

Por certo você já se deparou com um agrupamento denso de árvores e percebeu um fenômeno curioso: troncos longos e quase sem galhos, lisos e esguios, enquanto a copa se concentra no alto, como se cada árvore estivesse disputando um lugar ao sol.

Esse comportamento não é acaso. As plantas se orientam e “buscam” a luz solar por meio de um processo biológico chamado fototropismo. Isso ocorre porque a luz é indispensável à sua sobrevivência, ao seu crescimento e à sua reprodução. Sem luz suficiente, não há energia, não há desenvolvimento e, em última instância, não há vida.

a) A fotossíntese

Para produzir:
☑️Glicose (seu alimento), oxigênio (liberado para o ambiente).

Sem luz suficiente:
⊳ A produção de energia cai.
⊳ O crescimento é prejudicado.
⊳ A planta enfraquece.
⊳ Eventualmente, morre.

Portanto, buscar luz é buscar vida.

b) O fototropismo

Fototropismo é o crescimento orientado da planta em resposta à luz.

⊳ Fototropismo positivo: caule e folhas crescem em direção à luz.
⊳ Fototropismo negativo: raízes crescem afastando-se da luz, buscando água e nutrientes no solo.

Esse comportamento permite:

⊳ Maximizar a captação de luz.
⊳ Equilibrar sustentação e nutrição.

Quantas pessoas caminham por aí na escuridão, desorientadas e perdidas na estrada da vida. Aqui e ali, tropeçam em fachos de “luzes mortas” – telas eletrônicas e de projeção, shows, espetáculos, palcos iluminados, estádios de esportes, vitrines reluzentes e tantos outros entretenimentos luminosos – que apenas cintilam por um instante e logo se apagam. Agarram-se a brilhos efêmeros e ilusórios que nunca conseguem iluminar, de fato, o caminho da alma.

No entanto, a Bíblia nos lembra que “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” (Jo 1.4–5). Não se trata de um brilho passageiro, mas da verdadeira luz, que veio ao mundo e ilumina a todo homem (Jo 1.9).

Por isso, o próprio Cristo declara: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). Fora dessa luz, o caminho permanece obscuro; nela, porém, a alma encontra direção, vida e salvação.

As árvores que mencionamos anteriormente oferecem um belo retrato da busca pela luz verdadeira e superior da vida. Para ser iluminado pela luz divina, é necessário fé e coragem – coragem para abandonar aquilo que parece tão essencial à vida terrena, mas que, diante de Cristo, revela-se apenas distração inútil.

É preciso relegar ao segundo plano, ou até mesmo renunciar, o que é passageiro, para priorizar o que é eterno. Assim como, para contemplar um céu plenamente estrelado, é preciso que as luzes da cidade se apaguem, também para enxergar a glória de Deus é necessário silenciar os brilhos artificiais deste mundo.

Somente quando deixamos para trás uma vida pequena, fútil e vazia é que nos tornamos aptos a receber a vida abundante, plena e verdadeira, que somente Jesus pode conceder.

“Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 16.25)

3. A BÍBLIA E A LUZ

A Bíblia frequentemente usa “luz” como símbolo de:

⊳ Vida que procede de Deus (Sl 36.9)
⊳ Verdade que liberta (Ef 5.13)
⊳ Revelação que ilumina a mente (2Co 4.6)
⊳ Santidade que transforma o caráter (1Jo 1.5)
⊳ Direção que orienta o caminho (Sl 119.105)
⊳ Presença que salva e consola (Sl 27.1)

Figuradamente e como símbolo teológico, a Bíblia ensina que:

🟡 A luz é o primeiro ato da criação
“Haja luz.” (Gn 1.3)

Antes de qualquer forma de vida, Deus cria a luz indicando que não há vida nem ordem sem luz.

🟡 Deus é luz
“Deus é luz; e nele não há treva nenhuma.” (1Jo 1.5)
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” (Tg 1.17)

A luz revela o caráter santo e perfeito de Deus.

🟡 Jesus é a “Luz do Mundo”
“De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (Jo 8.12)

Assim como a luz é indispensável para a vida física, Jesus é indispensável para a vida espiritual.

🟡 A Palavra de Deus é luz
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra.” (Sl 119.105)

A Bíblia como revelação divina é luz. Ela é direção, discernimento e sabedoria.

🟡 Os discípulos de Jesus são luz
“Vós sois a luz do mundo.” (Mt 5.14a)

Os seguidores de Cristo são chamados a refletir sua luz.

“Certo homem comprou uma bela caixa de joias, que – segundo lhe garantira o comerciante – brilharia no escuro. Naquela mesma noite, colocou-a sobre a mesa e apagou as luzes, ansioso por vê-la resplandecer. Para seu desapontamento, porém, a caixa permaneceu inerte, mergulhada na escuridão.

Sua esposa, percebendo a frustração do marido, resolveu repetir a experiência na noite seguinte. Colocou a caixa sobre a mesa, exatamente como ele fizera antes. Para a alegria de ambos, a caixa então brilhou com intensidade extraordinária. Foi quando ela explicou, com simplicidade:

– Você se esqueceu de seguir as instruções: “Coloque-me ao sol durante o dia, e eu brilharei à noite.”

Não existe nenhuma lei física segundo a qual um objeto possa irradiar uma luz que antes não tenha absorvido. Do mesmo modo, não há lei espiritual pela qual possamos refletir a luz de Cristo sem, primeiro, termos sido iluminados por ele.

O apóstolo Paulo afirma que “todos nós, com o rosto descoberto, contemplando a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na sua própria imagem” (2Co 3.18). O próprio Jesus declarou: “Eu sou a luz” (Jo 8.12) e, em seguida, disse a seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14).

Deus não se decepciona quando nos detemos em sua Palavra, quando nos colocamos à luz de Cristo e o contemplamos com reverência. É exatamente aí que aprendemos a brilhar – não com luz própria, mas refletindo a luz que dele recebemos.” (extraído e adaptado)

4. Considerações Finais

A Bíblia fala sobre a criação da luz, revelando que ela faz parte da obra criadora de Deus desde o princípio. E, a luz, prevalece sobre as trevas.

A luz é essencial à existência humana!

🔆 Sem luz natural, não há vida biológica.
A luz é a fonte primária de energia para todos os ecossistemas.

🔆 Sem luz natural, o corpo humano adoece.
Somos biologicamente dependentes da luz para saúde física e emocional.

🔆 Sem luz natural, não há percepção, direção e organização.
Ela permite enxergar, compreender e agir no mundo.

🔆✝️ Sem luz divina, não há ordem espiritual.
A revelação de Deus (Bíblia) é descrita como luz. Jesus é a Luz que ilumina nossa existência e o caminho para Deus.

Enfim, Deus não apenas cria a luz natural, mas usa sua essencialidade para revelar a salvação em Cristo!

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2Co 4.6)

Soli Deo gloria!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Internet / ChatGPT.


Veja mais:
Esta é a segunda de três publicações sobre ELEMENTOS ESSENCIAIS A EXISTÊNCIA HUMANA:
1. A essencialidade da água.
2. A essencialidade da luz.
3. A essencialidade de Jesus.


A essencialidade da água

Introdução

Aproximadamente 71% da superfície do planeta Terra é coberta por água, no estado líquido – oceanos, mares, rios e lagos; e  no estado sólido (gelo) – geleiras e calotas polares. Porém, apenas cerca de 2,5% dessa água é doce. E, desse total de água doce, menos de 1% está disponível para uso humano (em rios, lagos e aquíferos acessíveis). A canção “Planeta Água” de autoria de Guilherme Arantes, lançada em 1981, faz jus a essa interessante realidade quando diz – Terra! Planeta Água.

Não menos importante é a água no estado gasoso (vapor) que representa cerca de 0,001% do total de água da Terra, que não está incluída nestes 71%. O vapor d’água, mesmo sendo pouco em volume é fundamental para a formação de nuvens, chuvas, regulação da temperatura, efeito estufa natural e manutenção do clima.

O corpo humano é composto em média por 60% de água. Esse valor varia conforme idade, sexo e composição corporal:

  • Bebês: 70% a 75%
  • Adultos homens: 60% a 65%
  • Adultos mulheres: 50% a 60% (maior proporção de gordura corporal)
  • Idosos: 45% a 55%

A água está em todas as partes do corpo:

  • Sangue: 83%
  • Músculos: ≈75%
  • Cérebro: ≈75%
  • Pulmões: ≈80%
  • Ossos: ≈22%

Enfim, sem água não a vida!

1. PRINCIPAIS FUNÇÕES E USOS DA ÁGUA

a) No Planeta

  • Regulação do clima.
  • Manutenção de ecossistemas.
  • Ciclo hidrológico, essencial para todas as formas de vida.
  • Sustentação da agricultura e produção de alimentos.
    • Irrigação de lavouras.
    • Criação de animais (bebedouros, limpeza de instalações).
    • Processamento pós-colheita.
  • Meio de sobrevivência para fauna e flora aquáticas.
  • Indústria, Comércio e Serviços.
  • Recreação, Cultura e Lazer.
  • Nas residências (no dia a dia).
    • Beber e cozinhar.
    • Higiene pessoal (banho, escovação, lavagem das mãos).
    • Limpeza da casa e dos objetos.
    • Lavagem de roupas.
    • Descargas sanitárias.
    • Irrigação de plantas e jardins.

b) No Corpo Humano

  • Transporte de nutrientes e oxigênio pelo sangue.
  • Regulação da temperatura corporal (sudorese).
  • Lubrificação de articulações, olhos e mucosas.
  • Eliminação de toxinas pela urina, suor e fezes.
  • Participação em reações metabólicas e químicas celulares.
  • Proteção de órgãos e tecidos (líquido cefalorraquidiano, líquido amniótico).
  • Auxílio na digestão (saliva, sucos gástricos, absorção intestinal).

2. POR QUE A ÁGUA É ESSENCIAL À EXISTÊNCIA HUMANA?

A água é indispensável porque:

  • Sem água, não há metabolismo. Todas as reações químicas da vida acontecem em meio aquoso.
  • Sem água, o corpo não funciona. Em poucos dias de desidratação grave, ocorre falência de órgãos.
  • Ela mantém a vida celular. A água permite trocas químicas, transporte, equilíbrio de sais e eletrólitos.
  • Ela preserva ecossistemas que sustentam a cadeia alimentar. Sem água, as plantas e os animais não sobrevivem.
  • É insubstituível. Nada substitui a água na combinação de hidratação, regulação térmica, transporte e limpeza interna.

A água é essencial porque ela está na estrutura da vida, mantém a vida e possibilita a continuidade da vida – tanto biologicamente quanto ambientalmente.

O vapor d’água é uma parte pequena da água total do planeta, mas exerce um papel enorme e indispensável para a saúde humana, para a vida dos seres vivos e para o equilíbrio ambiental. Por exemplo, para a saúde humana:

a) Hidratação das vias respiratórias

O vapor mantém úmidas: fossas nasais, garganta e pulmões.

Sem umidade, o corpo sofre:
• ressecamento das mucosas.
• irritação das vias respiratórias.
• maior risco de infecções (vírus, bactérias).
• piora de alergias e crises respiratórias.

 A umidade é essencial para que o ar chegue aos pulmões de forma saudável.

b) Regulação da temperatura do corpo

O corpo libera calor por meio do suor, que evapora graças à presença de umidade no ar.

O vapor d’água permite:
• manutenção da temperatura corporal.
• prevenção de superaquecimento (hipertermia).
• funcionamento adequado do sistema circulatório.

c) Proteção da pele

Ambientes muito secos retiram água da pele, causando:
• rachaduras.
• desidratação.
• dermatites.
• irritações

O vapor atmosférico ajuda a manter a pele hidratada naturalmente.

3. A LIÇÃO DA BOMBA D’ÁGUA [1]

Um homem estava perdido num lugar deserto, destinado a morrer de sede. Então, ele chegou a uma velha construção, sem janelas, sem teto. O homem andou ao redor daquele lugar e achou uma pequena sombra, onde podia sentar-se para se proteger do calor e do sol intenso. De repente ele avistou uma velha bomba d’água enferrujada. Ele se arrastou até lá, pegou a alavanca e começou a bombear, bombear e bombear sem parar, porém, nada acontecia. Desanimado ele caiu prostrado, então viu que ao seu lado havia uma garrafa velha. Pegou a garrafa, limpou a poeira que a cobria, e então conseguiu ler o recado que estava nela: “Meu Amigo, você precisa primeiro preparar a bomba derramando nela toda água desta garrafa. Depois faça o favor de enchê-la outra vez, antes de partir, para o próximo viajante.”

O homem destampou a garrafa, que estava cheia de água, e viu-se num dilema: Se bebesse aquela água, poderia sobreviver. Mas se despejasse toda aquela água na velha bomba enferrujada, e ela não funcionasse, morreria de sede. O que fazer? Despejar a água na velha bomba e esperar conseguir água fresca e fria, ou beber a água da velha garrafa e desprezar a mensagem.

Com relutância, o homem despejou toda a água na bomba. Pegou a alavanca e começou a bombear, e a bomba começou a ranger, porém nada acontecia. A bomba continuava rangendo e, de repente, surgiu um pequeno fio de água, depois um pequeno fluxo e, finalmente, a água jorrou em abundância. Para alívio do homem a bomba velha fez jorrar água fresca, cristalina! Ele encheu a garrafa e bebeu ansiosamente. Encheu outra vez e tomou até saciar sua sede. Em seguida, voltou a encher a garrafa para o próximo viajante e acrescentou à nota: “Creia, funciona. Você precisa dar toda a água antes de poder recebê-la de volta.”

Quantas pessoas caminham por aí sedentas, desorientadas e perdidas no deserto da vida. Aqui e ali, se deparam ou tropeçam em garrafas de “águas mortas”, das quais bebem apenas para não desfalecer de vez. Agarram-se a atrativos efêmeros e ilusórios que jamais conseguem saciar a verdadeira sede da alma. Assim, dia após dia, seguem a passos largos rumo à perdição eterna.

Foi assim também com uma mulher samaritana que, certo dia, encontrou-se com Jesus à beira de um poço. Ela carregava seus cântaros repletos das mesmas “águas mortas” que tantas vezes buscamos, quando o Senhor lhe ofereceu algo infinitamente superior:

“Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” (Jo 4.13-14)

Para receber essa água viva, é preciso e coragem: coragem para abandonar aquilo que parece tão essencial à vida terrena, mas que não passa de peso inútil diante de Cristo. A mulher samaritana entendeu isso – “deixou o seu cântaro…” (João 4.28) — e, ao deixar o que era passageiro, encontrou o que é eterno.

Assim também conosco: é preciso perder o que é transitório para ganhar o que é permanente; é preciso deixar para trás uma vida pequena e vazia para receber a vida abundante que só Jesus pode dar.

“Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 16.25)

4. Considerações Finais

A Bíblia fala sobre a criação da água de maneira direta e indireta, revelando que ela faz parte da obra criadora de Deus desde o princípio. Quando diz que – “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Gn 1.1) – a água está inserida de forma indireta. Quando diz que – “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gn 1.2) – a água está presente entre os primeiros elementos da criação organizada por Deus.

Deus organiza e separa as águas (Gn 1.6-10):

No segundo dia, faz a separação das águas: “Haja firmamento no meio das águas, e separação entre águas e águas.” (Gn 1.6). Assim, Deus separa: as águas de cima (céus/atmosfera), das águas de baixo (mares, rios, águas subterrâneas).

No terceiro dia, Deus faz a reunião das águas e surgimento da terra seca: “Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca.” (Gn 1.9-10)

Resumindo, a Bíblia ensina que:

💧 A água foi criada por Deus no início da criação.
💧 Deus separou, organizou e delimitou as águas.
💧 Ele controla o ciclo da água e a usa como provisão para toda a vida.
💧A água é um símbolo central da salvação e da vida eterna em Cristo. ✝️

Por fim e o mais importante é que a água, na Bíblia, aponta profeticamente para Cristo, portanto não é apenas biológica, mas teológica. O apóstolo João dedica atenção especial a esse aspecto:

✝️💧A “água viva” que Jesus dá se tornará uma fonte a jorrar para a vida eterna:

“Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.”“aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” (João 4.10 e 14)

✝️💧Jesus também fala sobre “rios de água viva”:

“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” (João 7.38)

✝️💧No livro de Apocalipse o apóstolo João também fala da água da vida eterna:

“pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida.” (Apocalipse 7.17a)

“Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.” (Apocalipse 21.6b)

“Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.  O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.” (Apocalipse 22:1,17)

Enfim, Deus não apenas cria a água natural, mas usa sua essencialidade para revelar a salvação em Cristo!

Soli Deo gloria!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Internet / ChatGPT.


Veja mais:
Esta é a primeira de três publicações sobre ELEMENTOS ESSENCIAIS A EXISTÊNCIA HUMANA:
1. A essencialidade da água.
2. A essencialidade da luz.
3. A essencialidade de Jesus.


[1] Texto anônimo, adaptado e aplicado por Paulo Raposo Correia.